quarta-feira, 24 de setembro de 2008

A nossa antiga ponte da catumbela

É impressionante o tempo que se perde na ponte da catumbela, uma fila enorme que o ano passado era o para arranca, agora o arranca está cada vez mais difícil. Não sei o que se passou com os tugas para terem construído uma ponte apenas num sentido, não deviam querem investir no futuro.
O raio da ponte é estreita, parece que pensavam em poupar ferro. Ainda hoje estive tempos e tempos e deu-me para pensar num fenómeno, o do para - arranca. Já repararam que quanto mais atrás se está numa fila maior é a distancia que temos do que está sortudamente a frente quando começarmos a andar? O carro que está a frente avança e o segundo carro segue-o, depois o terceiro, assim sucessivamente. Por norma nenhum carro arranca antes do que o precede. Por mais organizada que seja a fila do trânsito, há sempre umas fracções de segundo entre o movimento de dois carros consecutivos. Se somarmos estes tempos, os últimos carros da fila apenas arrancam bastante tempo depois dos primeiros.
N.S

O saldo de 10

A unitel, uma empresa relativamente nova e já com um volume histórico alargado, bem como uma história bem diferenciada dos seus serviços… É o que se passa com o saldo usualmente por nós usado, “o saldo de 10” por muitos assim conhecido, os normais 125 UTTs, mas afinal como é que as pessoas passaram a chamar ao saldo de 125 UTTs “o saldo de 10”?
Nada mais nada menos que o poder do dólar americano na nossa economia, ou seja, na altura em que foi fundada a líder do mercado angolano das telecomunicações (como fazem referencia no seu site, eu chamava-lhe monopolista, toda empresa é líder de mercado quando concorre consigo mesmo, sim porque a Movicel não é concorrente de forma alguma da Unitel) em Dezembro de 1998 o câmbio do kz face ao dólar era sensivelmente 90 kz / usd, portanto 10 usd custavam 900 kwanzas, e era nessa o valor que se pagava pelo saldo de 125 UTTs, pelo que ficou conhecido como o “saldo de 10”.
Com alterações cambiais mundiais desde 1998 até as datas de hoje, o dólar sofreu uma desvalorização acentuada, a nossa moeda ganhou força perante ao dólar, a proporção passou a ser 75 kz / usd. Essa actualização foi sentida em todos os sectores, menos nas telecomunicações, mais propriamente na Unitel, continuamos a pagar ao “salto de 10” os mesmos 900 kz. Porque será? Os UTTs não aumentaram, continuam os mesmos 125, as chamadas não são mais baratas… Afinal que é que mudou? Por mim mudavam os clientes, e passavam a chamar “Saldo de 12”.

N.S

terça-feira, 23 de setembro de 2008

THE POPE

After getting all of Pope Benedict's luggage loaded into the limo, and hedoesn't travel light, the driver notices that the Pope is still standing onthe kerb.
'Excuse me, Your Holiness,' says the driver, 'Would you please take yourseat so we can leave?' 'Well, to tell you the truth,' says the Pope, 'they never let me drive atthe Vatican, and I'd really like to drive today.'
'I'm sorry but I cannot let you do that. I'd lose my job! And what ifsomething should happen?' protests the driver, wishing he'd never gone towork that morning.
'There might be something extra in it for you,' says the Pope.
Reluctantly, the driver gets in the back as the Pope climbs in behind thewheel. The driver quickly regrets his decision when, after exiting theairport, the Pontiff floors it, accelerating the limo to 105 mph.
'Please slow down, Your Holiness!!!' pleads the worried driver, but thePope keeps the pedal to the metal until they hear sirens.
'Oh, dear God, I'm gonna lose my license,' moans the driver.
The Pope pulls over and rolls down the window as the cop the cop takes onelook at him, goes Back to his motorcycle, and gets on the radio.
'I need to talk to the Chief,' he says to the dispatcher.
The Chief gets on the radio and the cop tells him that he's stopped a limogoing a hundred and five.
'So bust him,' says the Chief.
'I don't think we want to do that - he's really important,' said the cop.
The Chief exclaimed, 'All the more reason!'
'No, I mean really important,' said the cop.
The Chief then asked, 'Who have you got there, the Mayor?'
Cop: 'Bigger.'
Chief: 'The Prime Minister?'
Cop: 'Bigger.'
'Well,' said the Chief, 'Who is it?'
Cop: 'I think it's God!'
Chief: 'What makes you think it's God?'
Cop: 'He's got the Pope as a chauffeur!'
N.S

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Diexim expresso – k “voe convosco”, comigo é que já não

O meu périplo de indignação para com a Diexim é uma historia um tanto quanto caricata. È frustrante perder-mos um voo por termos chegado atrasados, mas ainda é mais frustrante chegarmos uma hora antes da hora de partida e sermos informados que o voo já era, e se juntarmos a isto todo um leque de incompetência por parte desta organização…, bem… dá vontade de iniciar uma revolução.
Aproveitei comprar o meu bilhete no sábado, dia 20/09/2008 por volta das 13 horas, quando precisei de ir ao aeroporto doméstico de Luanda, tinha chegado aquela cidade um dia antes. Somos angolanos e parece que criamos o hábito de tentar cumprir sempre com o velho ditado “não deixes para amanhã o que podes fazer hoje”, um ditado que se ajusta na perfeição à nossa sociedade. No entanto, o meu bilhete (serial number 01924646), pago com os meus suados 100 dólares informava-me que devia estar as 10.30 no aeroporto para o check in e que a hora de partida do voo seria as 12.30, horário fixo da empresa para o voo de Luanda – Catumbela aos domingos, penso que há mais um voo manhã cedo mais não vem ao caso.
Depois de ter feito o check in, meia hora sensivelmente depois da hora de início do mesmo, fui despedir-me dos meus amigos que se encontravam a uns 50 metros de mim, se calhar nem tanto. Estive meia hora com eles e decidi ir para a sala de embarque, afinal já só faltavam 60 minutos para a partida do meu voo. Para o meu espanto fui informado que o mesmo já havia partido, bem, fiquei incrédulo perante tal facto, depois de algumas trocas de palavras com os bonecos mal mandados, que se encontram por detrás da cabine dessa desorganizada empresa, a fazerem caras de pessoas más – artificio comumente usado por quem quer esconder sua falta de conteúdo por trás da pose - não disseram palavra alguma a não ser a frase: “o senhor devia estar na sala de embarque”.
Fui dar a conhecer aos meus amigos (um grande abraço a esses dois grandes guerreiros, guerreiros esses que se viram livres, certamente, do pacifismo formatado a todos angolanos pela nossa sociedade) que não me tinha despachado. Estes, sem exitação decidiram entrar na minha luta, uma luta por um direito, direito de ser ouvido e respeitado como outro cidadão qualquer.
A verdade é que, quando se chega ao ponto de reagir aos acontecimentos dessa natureza com uma aceitação total e absoluta, estamos a ser desrespeitados porque queremos, porque somos impotentes a todo um sistema que se criou ao longo dos anos.
Voltando a questão fulcral da minha indignação, quero apenas deixar patente que essa empresa carece de uma gestão mais organizada a todos os níveis, principalmente de recursos humanos. Numa das trocas de palavras do meu amigos para com uma das funcionárias, esta, disse que ele se estava a comportar como um analfabeto. O que é isso? Reivindicar direitos agora é sinónimo de analfabetismo?
Nisso tudo, uma das funcionárias age por instinto e sai-se com uma frase mesmo ao seu nível, “Tomam lá o vosso dinheiro”, Meus amigos, será que eu deveria ter agredecido por ela ter sido generosa comigo?
Não tardou muito e felizmente a boa nova, chegaram dois agentes da autoridade. Há algumas instituições da justiça que funcionam e que se propõem a ajudar, de forma eficaz, rápida e clara, que conforto! Com todo o respeito, caro leitor… Não era o caso, a imponência era tal que mal conseguiram perceber o que se passava. Tentando criar soluções enquanto contava a minha epopeia à polícia, fizemos parecer uma contraproposta valida às minhas reivindicações de ressarcimentos que seria a remarcação da minha viagem para hoje dia 22 de Setembro de 2008 no primeiro voo das 6.30 da manhã.
Notam-se algumas mudanças nas empresas inseridas no mercado angolano, algumas estão de facto melhores, outras mantem-se num estado de estagnação… Esta, portanto a empresa em causa, parece ter tido uma grande mudança, deixou de atrasar os seus serviços e mostrar que podem ser mais rápidos do que o relógio, partindo mesmo antes de chegarem os clientes, clientes que num mercado normal seriam o grande sustento de companhias como esta, pelos vistos não é o que acontece, porque esta está pouco se lixando para o que serve, está-se lixando se fideliza ou não clientes, comportando-se como uma gestora de uma frota de táxis, como os nossos famosos “hiaces”, onde se senta quem chegou primeiro ou empurra com mais força, vai de pé quem chegou depois ou os mais fracos, estaciona, carrega e cá vai mais uma viagem.

Eu fiquei particularmente feliz ao sucedido, quem sabe se, começarmos a estimular mais pessoas a reclamar os seus direitos contra as companhias deficientes como esta, pode ser que essas companhias aprendam a dar mais valor e ter mais respeito para com os seus clientes, bem como criar um sentimento de compreensão no seio dos seus funcionários nos momentos em que as pessoas reclamarem contra eles.

By Nuno Santos

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

O José Mourinho é que despediu um clube

Olá, eu hoje não podia deixar de vir aqui desmentir categoricamente uma notícia que está a ser difundida pela comunicação social. Os jornais dizem que o Mourinho foi despedido! E é falso! O Mourinho não foi despedido, o Mourinho é que despediu um clube, assim é que está certo. O Mourinho é que os despediu. Uhm, não foi o Chelsea que disse; nha, a partir de agora já não és o treinador deste clube, não, não, o Mourinho é que disse; nha, a partir de agora vocês já não são o clube em que o maior trabalha, foi isto que sucedeu ahn.
O Mourinho deu uma chicotada psicológica no chelsea, foi isto. Mas mesmo admitindo que o Mourinho foi despedido, mesmo admitindo que foi despedido, até a ser despedido é o maior. Uhm é o melhor treinador do mundo, e até a ir para o olho da rua é um campeão. Eu acho que isto tem de ser sublinhado, é um homem que consegue convencer um clube a dar 30 milhões de euros ao melhor treinador do mundo, para que ele não trabalhe mais nesse clube, é uma decisão que do ponto de vista da gestão do chelsea me parece… Como é que se chama aquilo?? … Estúpida… É isso, parece-me estúpida…
Porque reparem, um dirigente dar 6 milhões de contos ao Artur Jorge para assegurar que ele nunca mais vai treinar esse clube, epá é um investimento, sim Senhora, é uma garantia de futuro, agora ao melhor do mundo??? Toma lá 6 milhões e vai-te embora!!!??? Um bocado esquisito. O que eu queria dizer-vos hoje aqui era que, José Mourinho tem a minha solidariedade! De melhor do mundo para melhor do mundo, a minha solidariedade, porque todos nós somos os melhores do mundo em qualquer coisa, só temos de descobrir o que é! Eu tive a felicidade de descobrir que modéstia parte, sou o melhor do mundo a comer pudins…sou de facto o melhor do mundo a comer pudins, e sei isto é uma coisa que José Mourinho provavelmente não o tem, nunca ninguém me ia despedir por fazer aquilo em que eu sou o melhor do mundo, que é comer pudins… Portanto, era esta a mensagem que eu queria deixar ao José mourinho, de melhor do mundo para o melhor do mundo.
http://www.youtube.com/watch?v=yWVSrLqkgOo&feature=related

By Ricardo Araújo (Gato fedorento)

terça-feira, 16 de setembro de 2008

AKWÁ RESOLVE‏

Kigali (Ruanda), sábado 8 de Outubro de 2005 ....a meio do segundo tempo o seleccionador nacional decide tirar o cérebro da equipa Zinedine Figueiredo. Alguns fãs angolanos desesperavam com o desenrolar dos acontecimentos. O 0-0 persistia no placard, a Nigéria goleava o Zimbabwe. Angola estava virtualmente fora da mais alta competição desportiva do planeta (sim pq o Mundial é melhor q os JO). O cidadão Raika que assistia ao encontro na companhia de diversos amigos, espantou-se quando os seus companheiros de sofá pediam a substituição do capitão Akwá, alegando que este só jogava bem no mítico complexo desportivo da Cidadela Desportiva. Perante tal alegação, Raika, também conhecido por velha raposa destas lides desportivas, puxou dos seus argumentos e, passando a citá-lo, disse:
- Num momento destes estão todos a tremer, é preciso experiência e essa chama-se Fabrice Maieco Akwá...ja tiraram o pula q pensa (Figueiredo), agora só nos resta o Fabrice...ele não pode sair!
Qual "coincidencia" (eu chamaria-lhe outra coisa, mais do tipo "são muitos anos disto"), momentos a seguir, mais propriamente ao minuto 79, a mega estrela e capitão de equipa AKWÁ, após um cruzamento milimétrico do extremo Zé Kalanga, elevou-se mais alto que toda a gente e colocou milhões de corações a vibrar e fez verter lágrimas nos olhos de tantos outros.
É de referir ainda o magnífico pontapé de bicicleta do capitão minutos antes, lance esse que já se tornou na sua imagem de marca e que se tivesse entrado certamente hoje eu não estaria aqui a escrever este email por provável internamento cardíaco.
Já se equaciona a substituição da estátua de Agostinho Neto pela do carismático atleta nacional, um verdadeiro herói angolano.
Ass: Ricardo Martins

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Frigoríficos e Auto-estradas

Quem se afaste alguns quilómetros de Nova Iorque e entre nos seus subúrbios mergulha num ambiente surpreendente para o visitante europeu. Em vez de dormitórios incaracterísticos, trânsito confuso e áreas pouco tratadas, encontram-se ruas com poucos carros, muitos lugares para estacionar, relvados amplos, moradias, parques públicos e pequenos centros urbanos onde ainda prolifera o comércio tradicional.
Na América do Norte, suburbia não é termo depreciativo. É para os arredores das cidades que as famílias se deslocam quando adquirem aldum desafogo económico. A vida suburbana está rodeada de amenidades que para os europeus são o paraiso perdido. Parques, bibliotecas e livrarias amplas, mais árvores que casas, moradias de madeira cercadas de relvados, espaços onde as famílias fazem os churascos e as crianças brincam nos baloiços e em pequenos jardins.
De onde vem este contraste tão gritante entre os arranha-céus nova-iorquinos e as pequenas casas ajardinadas? Como foi possível criar duas urbanizações tão distintas a escassos quilómetros uma da outra? Como com todas as coisas, as respostas são múltiplas, mas há factores tecnológicos decisivos. Em primeiro lugar o aço e o elevador, que permitiram construir edifícios com mais de cinco andares, algo que seria difícil sem estruturas metálicas e sem aparelhos que levassem os residentes aos andares superiores. Foram esses dois avanços que permitiram às cidades crescer para cima e concentrar uma população elevada numa área reduzida. Mas isso não explica os subúrbios norte-americanos.
Nova Iorque propriamente dita tem cerca de 7 milhões de habitantes, cerca de metade dos quais na ilha de Manhattan. Mas a área metropolitana da cidade atinge mais de 20 milhões, o que quer dizer que a maioria vive na suburbia. Qual foi o invento que o permitiu?
Há quem diga, e com bastante razão, que foi o automóvel que possibilitou ao norte-americano esprairar-se pelos arredores das grandes metrópoles. E que foi a viatura individual que permitiu uma urbanização pouco concentrada, com inúmeras vilas que se espalham por centenas de quilómetros quadrados. Há algo de verdade nesta explicação, mas é insuficiente. Witold Rybczynski, conhecido do público através de Uma volta bem dada, dá uma resposta complementar no seu livro Cyte Life. O factor responsável pelo novo tipo de urbanização é nada mais nada menos que a invenção do frigorífico.
A ideia não é surpreendente para quem estude a história do urbanismo. O frigorífico permitiu armazenar alimentos e evitar a ida diária à mercearia, ao talho ou à peixaria. Os alimentos conservam-se muito mais tempo e compram-se em maiores quantidades. Assim, as famílias podem -se dispensar e viver longe dos centros de abastecimento, que deixaram de ser as pequenas lojas para passar a ser os supermercados. Mesmo com carro, não seria cómoda uma ida diária ao centro apenas para ir buscar o leite, o bife ou pão.
O aço, o elevador, a viatura e o frigorífico são os avanços tecnológicos responsáveis pela destruição do estilo de vida urbano tradicional. Os subúrdios do novo mundo perderam a vida de bairro, com o passeio diário à mercearia e ao café. Contudo, ganharam em comodidade e qualidade de vida. A mudança está a chegar tarde ao nosso país. Mas entre nós, segundo se vê pela desordem suburbana, os aspectos negativos sobressaem mais que os positivos. Será culpa dos frigoríficos?

in passeio aleatório (Nuno Crato)
N.S