sábado, 27 de dezembro de 2008

Memo Ochoa: Mexicano Voador

Correm tempos em que a magia e o espectáculo passam quase inteiramente pelos pés dos atacantes e médios mais criativos. No entanto, e segundo reza a história do futebol, sempre houve figuras que nos marcaram pelas qualidades comprovadas em terrenos mais discretos. E discreto não significa menos importante, de todo, como o comprova Guillermo Ochoa, a mais recente coqueluche do futebol Mexicano.
Preud’homme, Kahn, Zoff, Buffon, Higuita, Goycoechea. Todos eles, em seu tempo, marcaram uma geração naquela que é uma das mais mágicas e adoradas posições num campo de futebol: a de guarda-redes. Independentemente da espectacularidade empregue a cada lance, o tempo veio-nos revelar como a arte de um bom guarda-redes consiste primordialmente na capacidade de manter a tranquilidade, a serenidade. E estes predicados permitem-nos ainda hoje distinguir o bom do sublime. Ochoa é precisamente isso: envolto no sangue-quente latino-americano, o guardião Mexicano de 22 anos mantém uma presença notável, e ultrapassa limites imaginários na defesa das suas redes.
Nascido à 22 anos em Guadalajara, Jalisco, Memo era ainda um rebento quando foi lançado às feras no Club America. Tinha apenas 17 anos, mas Leo Beenhakker não hesitou em escalá-lo para titular, isto perante a lesão do vetereno Adolfo Rios. Para imprensa e adeptos foi amor à primeira vista, e apesar da fogaz passagem de Ruggeri pelo comando da equipa - que relegou Ochoa para suplente - o guardião Mexicano rapidamente ganhou a sua posição na equipa, sendo no ano seguinte campeão do seu país. O percurso que vem desbravando encontra um paralelo evidente na Europa, no ‘merenge’ Iker Casillas: um enorme carácter, um forte espírito de equipa, e a ascensão natural a ícone da equipa.
Indiscutível no seu clube de sempre (com cerca de 150 partidas efectuadas até ao momento) e titularíssimo na selecção do seu país (onde já conta com 15 jogos), é natural a ambição de um “salto” para a Europa, onde é disputado o mais competitivo futebol do planeta. Aquele que é considerado unanimemente como o melhor guardião americano da actualidade tem certamente a sua marca a deixar na Europa. As competições sul-americanas são actualmente competitivas e bem disputadas, e a presença em provas como a Copa América, Taça Libertadores ou Jogos Olímpicos de Atenas fazem deste jovem jogador uma aposta segura.
Tecnicamente, Ochoa é espectacular a todos os níveis. Na baliza, tem a sobriedade de um veterano e a agilidade de um jovem. É particularmente forte no um contra um, e funciona por instinto para conseguir defesas a todos os níveis inacreditáveis. Os seus 1.86m são suficientes para as bolas mais compridas, e a sua bravura permite-lhe lutar por qualquer lance com o pensamento em vencê-lo.
Na América do Sul, Ochoa é um ícone e prova disso são os recentes anúncios publicitários para a Coca-Cola, ou o contrato conseguido com um famoso jogo de computador. No fundo, nada de anormal num mundo globalizado como o vivemos. O que é de facto de enaltecer é a maturidade deste jovem jogador, que com 22 anos continua os seus estudos na Universidade e não coloca sequer a hipótese de os interromper. A nomeação para a Bola de Ouro 2007 foi a sua primeira grande conquista; a segunda poderá estar seguramente para breve - AC Milan, Manchester Utd, entre outros, estão na fila da frente por mais um prodigioso jovem sul-americano em ascensão.
by Rui Zamith

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

os recursos para a reconstrução de Angola

Ana Catarina
Acho que um país como o nosso que acaba de sair de uma situação de guerra deve apostar na sua reconstrução, sobretudo nos investimentos estruturantes como sejam: estradas, pontes e fábricas que potenciam o crescimento de outros sectores, como o da construção civil, comércio, turismo e outros.
Apesar da grande importância que assume as obras públicas, penso que o governo angolano não tem orientado convenientemente os recursos para a reconstrução de Angola. Num país com problemas básicos por resolver, como:
• Falta de escolas públicas, hospitais, estradas intra e inter regionais;
Não me parece que o alargamento da baía de Luanda seja prioridade, acho que estamos a implementar ideias de primeiro Mundo, num país com estruturas de terceiro Mundo. Para mais, este projecto da baia vai consumir metade dos 4 biliões de USD pedidos a China por empréstimo, sem contar com o impacto ambiental, provavelmente negativo que vai trazer. Resumindo, é o continuar de uma vida de “luxo na miséria” a que estamos habituados.
Por outro lado, as obras não obedecem a orientações ambientais e a fiscalização quer ambiental quer técnica são inexistentes ou desconhecidas pelo comum mortal. E nesta grande missão/confusão a que chamamos modernização do país quem ganha mais não é a população, mas sim os grandes lobbies.
A lei 7/97 foi sem dúvida uma iniciativa bem pensada que obriga a que as empresas que não tenham residência fiscal em Angola, possam ser tributadas por rendimentos criados em território angolano. Mas esta lei tem suscitado algumas dificuldades na sua interpretação e implementação: Numa empreitada podemos ter actividades de prestação de serviço, neste caso aplicamos a taxa de 3.5% ou 5.25%? E o controlo da tributação é feito sobre as vendas ou pagamentos?
Outro problema é identificar o responsável pela adjudicação e acompanhamento das obras públicas quer na sua implementação quer na sua fiscalização. Como disseste o investimento privado (construção civil) também tem dado ar da sua graça, notamos várias construções espalhadas por Luanda. Acho que hoje todo o Luandense tem, nem que seja uma palhota, em construção. O problema é a qualidade das obras e a falta de um plano director que defina claramente onde, como e o que construir.
Mas continuo a acreditar que no futuro as coisas irão mudar. Continuo a acreditar nos jovens angolanos sedentos de mudança. Há ainda uma luz no fundo do túnel que vale a pena explorar. Vale a pena acreditar.

by Avelino Kiampuku

Os empréstimos “subprime” e a génese da crise financeira

Quando falamos em “prime”, referimo-nos à classificação credores, devedores ou taxas no mercado de crédito consideradas de alta qualidade. Empréstimos “subprime” são financiamentos concedidos a taxas reduzidas àquelas pessoas com rendimento mais baixo. Existe um quociente que permite definir os devedores como pertencentes à categoria “prime”, baseando-se em critérios de elegibilidade previamente definidos.Em oposição aos empréstimos do tipo “A” e aos “primes”, estão os empresários de menor qualidade e de maior risco, mais concretamente, são os créditos imobiliários de elevado risco onde a única garantia exigida ao devedor é o próprio imóvel. Este segmento de mercado é exclusivo aos Estados Unidos e é (era) destinado à população com rendimentos mais baixos.É o “subprime” que explica a crise que despoletou nos EUA e ameaça varrer a Europa com repercussões à escala global. Tudo começou quando a reserva federal norte americana (FED) decidiu baixar a taxa de juros para estimular a economia (como sabemos, a taxa de juro é função positiva do investimento empresarial e, por esta via, da criação de emprego) na sequência dos atentados de 11 de Setembro de 2001. Assim, enquanto as taxas de juro baixavam, o crédito expandia-se (dado o baixo nível de exigência no acesso ao crédito). Posteriormente, o FED subiu à taxa de juro directora, o que incitou o aumento dos juros imobiliários. Por sua vez, os bancos, confrontados com o preço do dinheiro mais alto, decidiram repercutir este feito sobre os seus clientes. Paralelamente, o decréscimo na procura de bens imobiliários influenciou a descida dos preços destes bens, originando uma diminuição da riqueza potencial das famílias.A combinação destes factores desembocou numa situação de incumprimento das obrigações bancárias por parte das famílias. Sendo o imóvel a única garantia do banco, os bancos começaram a sentir os efeitos da falta de liquidez e decidiram tomar medidas: executavam as garantias ficando com as casas. O problema é que são muitas as famílias a não pagarem e muitas casas a serem “executadas” pelos bancos, logo, muitas casas à venda, e poucos compradores. Pela lei da oferta e da procura, os preços baixaram.Os bancos ficaram sem fundos e com dificuldade para emprestarem dinheiro aos seus clientes, recorreram aos outros bancos, estes igualmente com dificuldade de liquidez e com enormes perdas. Isto tudo num país com enorme défice no qual se deve evitar a todo o custo que ocorra uma recessão sob pena de dificultar ainda mais a possibilidade de combater o défice por via das receitas fiscais e o risco de uma desvalorização dos títulos do tesouro americano, bem como as poupanças em dólar americano.Como o mercado é global, a crise rapidamente alastrou-se (ou se vai arrasar) para o resto do mundo, o que incita o abrandamento global. Muitos dos bancos que emprestaram dinheiro aos bancos americanos para que estes emprestassem aos seus clientes são europeus, asiáticos e até africanos. E assim nasceu a crise.
by Avelino Kiampuku

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Um fenómeno chamado «FM»

Está a comandar a sua equipa, desmotivada, desgarrada, numa noite chuvosa de domingo. Perde com o seu maior rival, e as coisas poderiam ser distintas se os jogadores tivessem correspondido às suas indicações durante o intervalo, se a academia de jovens jogadores tivesse outra qualidade, ou se a administração tivesse cumprido com a palavra de trazer um ou dois novos valores à equipa. Depois de mais uma derrota, as coisas estão feias, e faltam apenas 3 partidas para virar aquilo que poderá ser a pior temporada dos últimos 20 anos.
Terminada a conferência de imprensa, recebe uma mensagem do presidente a convocar uma reunião para a manhã seguinte. Neste momento, só haverá algo a fazer… desligar o computador portátil, vestir o pijama e dormir uma boa noite de sono. Amanhã é um dia de trabalho. Certo? Nem por isso! Para os verdadeiros fãs, o Football Manager é bem mais do que um mero jogo de computador. É uma paixão, é um modo de vida, um fenómeno que nasceu da mente de 2 “geeks” da era dos computadores, e que actualmente é um negócio de milhões. O FM foi de tal forma absorvido pela sociedade actual, que foram já registados pelo menos 50 casos de divórcio em que a justificação foi, única e simplesmente, a dependência a este jogo de computador.
Tudo se iniciou quando 2 irmãos, amantes da informática e sócios ferrenhos do Everton, decidiram escrever 500 linhas de código e iniciar o sonho de poder sentir aquilo que o treinador da sua equipa sentia no banco de suplentes. Corria o ano de 1985, e estes jovens informáticos estariam longe de imaginar que, anos mais tarde (em 1992), o Championship Manager iria iniciar uma expansão esmagadora, além fronteiras, por intermédio da companhia Eidos. Mas engane-se o leitor que pensa que isto é apenas uma história de milhões. As primeiras expectativas foram defraudadas, e as revistas mais conceituadas escreveram comentários extremamente negativos ao jogo. Foram necessários alguns anos, e muitas mais horas de computação, para que o CM atingisse o ponto de caramelo, isto já no ano de 2000. Daqui para a frente, o crescimento foi literalmente imparável. O que os adeptos do jogo não esperariam contudo era a separação que pouco depois surgiu, entre a Eidos e os 2 programadores, que seguiram então caminhos opostos em 2003. A Eidos ficava assim com os direitos do nome, enquanto Paul e Olivier levavam consigo a fatia mais importante de código do jogo.
Segunda-parte: Football Manager. Foi este o nome seleccionado pela marca SEGA, isto já depois de garantida a “contratação” dos dois génios Collyer. Segundo estes, a relação com a Eidos havia sido como de “pai para filho”, enquanto que com a SEGA era um verdadeiro casamento. Os 2 programadores iniciaram o trabalho com a certeza de que teriam 100% da liberdade para desenvolver as suas ideias, e rapidamente levaram o FM para as bocas do mundo. O Championship Manager, por esta altura, tentava tirar proveito daquilo que os dois irmãos lhe haviam deixado, mas rapidamente foi deixado para trás. Em Julho de 2008, o FM contabilizava 1 milhão de cópias vendidas na Europa e EUA. Em segundo posto, Sims 2 com… 540 mil cópias.
Então, afinal de contas, o que poderão os amantes do jogo esperar da edição 2009? A transmissão da partida em 3D será definitivamente a grande evolução do novo FM, assim como a existência de uma conferência de imprensa pós-jogo. Contudo, são garantidas mais de 80 novas funcionalidades! A base de dados, essa continua a mais actualizada do mundo. Mais de 900 pessoas, espalhadas pelo globo, trabalham para reunir a mais detalhada e precisa informação sobre os jogadores dos vários campeonatos, dos vários escalões. Segundo Jacobson, outra das mentes brilhantes do projecto, o Sevilha conta com a segunda maior equipa de prospecção do mundo, com certa de 700 elementos. Famosa por nos últimos anos ter sido utilizada por equipas profissionais na descoberta de novos talentos, com nomes como Lionel Messi, Wayne Rooney, entre outros (nunca se sabendo se de facto os clubes utilizaram a informação do jogo, ou se na realidade descobriram os talentos por outros meios), o CM está para ficar, e poderá significar um novo rumo na informatização do futebol.
No que toca aos utilizadores do jogo, estes vão desde o simples teenager até ao médico ou advogado. Até estrelas da televisão já admitiram ser viciadas no jogo, como o apresentador de televisão inglês Jason Manford. Segundo consta, terá recebido, enquanto jogava, uma proposta para treinar o Plymouth. A decisão era difícil, e quando estava na cama, pensativo, a namorada perguntou-lhe o que o apoquentava. A resposta foi rápida: estava preocupado com um novo projecto no emprego. O FM torna-se uma (demasiadamente) importante fatia da vida de certas pessoas, um fenómeno que psicólogos estão actualmente a estudar. Em adição, o FM agrava esta problemática, já que o jogo é cada vez mais um jogo para perfeccionistas. Nada é deixado ao acaso, e a mais pequena decisão poderá levantar enorme turbulência no seio da equipa. Será que o ser humano caminha para uma segunda vida - uma vida virtual?
by Rui Zamith

Nicolas Anelka - O Senhor 120 Milhões

Um “flop” que é um Banco. Não existe um Banco que tenha gerado mais dinheiro do que Anelka. Um verdadeiro enigma dentro e fora do campo. Foi elogiado quase até ao tutano mas nunca conseguiu assumir o controlo psicológico como jogador. Quando saiu aos 17 anos do PSG, poucos imaginariam que viria a ser um ícone no que toca às suas transferências entre clubes. Desde que saiu do Arsenal, onde sob as ordens de Wenger se revelara um fabuloso avançado-centro, a sua carreira tem sido uma sucessão de equívocos e fracassos.
Fã de Maradona, Romário, Weah e Van Basten, Nicolas Anelka já gerou cerca de 120 milhões de euros, somando todas as transferências em que esteve envolvido. Depois de uma formação feita em Trappes e no excelente centro de estágio de Clairefontaine, Anelka abandonou o sonho de ser tenista e abraçou, já com a camisola do PSG, o futebol, para gáudio dos empresários que estiveram envolvidos nas suas transferências. Um ano depois, Anelka foi detectado pelo mestre de cantera Arsène Wenger, que o levou para o Arsenal por uns “míseros” 660 mil euros. Bem acompanhado e com uma mão e dedo disciplinadores, no primeiro ano adaptou-se à nova realidade para no segundo destronar nada mais nada menos que Ian Wright da titularidade e se assumir como peça basilar na conquista da Liga e Taça de Inglaterra e ainda se estrear com a camisola gaulesa. Quando tinha tudo para singrar, assumiu ser “infeliz” e que não socializava como antes e pediu para regressar ao seu país. Já no seu reduto, puxa dos galões e o seu futebol fascina os tubarões do futebol europeu. Desta feita é o Real Madrid, que paga ao Arsenal 32,5 milhões de euros pelo seu passe. Em Madrid, ficava em casa a jogar ‘playstation’, ignorado pelo balneário, choca com as estrelas Raúl e Morientes, perde espaço no balneário e entre os adeptos. Não deslumbra em Madrid, mas mesmo assim vence a Liga dos Campeões, tendo sido fulcral nas meias-finais diante do Bayern de Munique.
Corria o ano de 2000 e finalmente Anelka concretizava o desejo de regressar ao “ninho”, devido a uma estratégia de marketing do PSG - que despendeu 28,4 milhões pelo seu filho pródigo. Porém nem tudo corre como o esperado, contudo o gaulês (mais uma vez) vê a luz ao fundo do túnel quando Gerard Houllier, que havia sido seu treinador nos sub-18 da Selecção, o convida a ingressar no Liverpool, por empréstimo. A temporada corre-lhe bem com golos e jogos de encher o olho mas aparentemente o seu feitio enfant terrible fala mais alto e no final da mesma, Houllier não acciona a opção de compra e Anelka fica novamente sem rumo… Por pouco tempo no entanto, já que empresários bem atentos rapidamente o colocaram no Manchester City por 18,2 milhões. Com Kevin Keegan, a sua carreira viveu uma verdadeira encruzilhada. Era o 3º clube que representava na Liga Inglesa, e contra todas as más expectativas dos críticos, faz duas temporadas razoáveis, contudo, o seu passe é forçado a ser vendido ao Fenerbahçe, por 11,2 milhões, devido a dificuldades financeiras nos citizens. É recebido como uma estrela na Turquia. Nesta altura, converte-se ao islamismo, adoptando o nome de Bilal. Quem não esteve pelos ajustes é o brasileiro Márcio Nobre que lhe dá poucas possibilidades de mostrar o porquê da sua contratação. Ainda assim, sagra-se campeão turco. Entretanto, dá nas vistas com as cores da selecção, mas nem a impossibilidade de Cissé jogar no Mundial 2006 lhe abriu um lugar nos convocados.
O seu estilo possante, 1,85m e 75 kg, de passada larga, muito forte a encarar o defesa contrário e nos remates em corrida de primeira, parece ser o ideal para o futebol inglês, que, pelo seu ritmo intenso e activo o atira para uma sinergia inevitável. No futebol latino, perdeu sempre fulgor devido ao ritmo mais pausado, onde parecia muito desligado do jogo. É um enigma que assenta, essencialmente, na motivação para fazer magia com as suas chuteiras. Regressou a Inglaterra para jogar no Bolton por 19 milhões e agora está no Chelsea que desembolsou nada mais que 22 milhões de euros em 2008. Como resultado, tornou-se no jogador que mais verbas movimentou em torno das suas contratações na História do Futebol com o record a rondar os 120 milhões de euros.
Um flop verificado no Real Madrid, no regresso ao PSG, Liverpool, onde todos os técnicos, Del Bosque, Fernandez e Houlier, nunca reconheceram qualidade ao ponta de lança que em 99 - ano de explosão em Highbury Park - chegou a ser apontado como o futuro nº9 da selecção francesa para os próximos dez anos. Recentemente e com 29 anos afirmou ao lado de Scolari: “Quero terminar a carreira neste clube”, disse. Alguém acredita?

by: Gustavo Devesas

sábado, 22 de novembro de 2008

25 perguntas sem respostas...

1. Porque é que a laranja se chama laranja e o limão não se chama verde?
2. Porque é que as lojas abertas 24 horas possuem fechadura?
3. Porque é que quem trabalha no mar se chama marujo e quem trabalha no ar não se chama araújo?
4. Porque é que "separado" se escreve tudo junto e "tudo junto" se escreve separado?
5. Porque é que os kamikazes usavam capacete?
6. Porque é que se deve usar uma agulha esterilizada para dar a injecção letal a um condenado à morte?
7. Para que serve o bolso dos pijamas?
8. Porque é que os aviões não são fabricados com o mesmo material usado nas suas caixas negras?
9. Adão tinha umbigo???????
10. Porque é que o Pato Donald depois do banho sai com uma toalha enrolada à cintura, se ele não usa calças nos desenhos?
11. Se o super-homem é tão inteligente, por que é que usa as cuecas por fora das calças?
12. O Pluto e o Pateta são dois cães, não são? Por que é que o Pateta fala e o Pluto não?
13. Porque é que existem pessoas que acordam os outros para perguntar se estavam a dormir?
14. Porque é que os Flinstones comemoravam o Natal se eles viviam numa época antes de Cristo?
15. Porque é que os filmes de batalhas espaciais têm explosões tão barulhentas se o som não se propaga no vácuo?
16. Porque é que aquele filme com o Kevin Costner se chama "Dança com Lobos" se só aparece um único lobo durante toda a história?
17. Se o vinho é líquido, como pode ser seco?
18. Como se escreve zero em numeração romana?
19. Porque é que as pessoas apertam o comando da televisão com mais força, quando a pilha está fraca?
20. O instituto que emite os certificados de qualidade tem qualidade certificada por quem?
21. Porque é que quando você pára no sinal vermelho, há sempre alguém no carro do lado com o dedo no nariz?
22. Se depois do banho estamos limpos, por que é que lavamos a toalha?
23. Como é que a placa "É Proibido Pisar A Relva" foi colocada lá??
24. Se os homens são todos iguais, porque é que as mulheres escolhem tanto?
25. Porque é que se chama Discoteca quando o disco toca e não teca?

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

E se Obama fosse africano?

Os africanos rejubilaram com a vitória de Obama. Eu fui um deles. Depois de uma noite em claro, na irrealidade da penumbra da madrugada, as lágrimas corriam-me quando ele pronunciou o discurso de vencedor. Nesse momento, eu era também um vencedor. A mesma felicidade meatravessara quando Nelson Mandela foi libertado e o novo estadistasul-africano consolidava um caminho de dignificação de África.
Na noite de 5 de Novembro, o novo presidente norte-americano não era apenas um homem que falava. Era a sufocada voz da esperança que se reerguia, liberta, dentro de nós. Meu coração tinha votado, mesmo sem permissão: habituado a pedir pouco, eu festejava uma vitória sem dimensões. Ao sair à rua, a minha cidade se havia deslocado para Chicago, negros e brancos respirando comungando de uma mesma surpresa feliz. Porque a vitória de Obama não foi a de uma raça sobre outra: sem a participação massiva dos americanos de todas as raças (incluindo a da maioria branca) os Estados Unidos da América não nos entregariam motivo para festejarmos.
Nos dias seguintes, fui colhendo as reacções eufóricas dos mais diversos recantos do nosso continente. Pessoas anónimas, cidadãos comuns querem testemunhar a sua felicidade. Ao mesmo tempo fui tomandonota, com algumas reservas, das mensagens solidárias de dirigentes africanos. Quase todos chamavam Obama de "nosso irmão". E pensei: estarão todos esses dirigentes sendo sinceros? Será Barack Obama familiar de tanta gente politicamente tão diversa? Tenho dúvidas. Na pressa de ver preconceitos somente nos outros, não somos capazes dever os nossos próprios racismos e xenofobias. Na pressa de condenar o Ocidente, esquecemo-nos de aceitar as lições que nos chegam desse outro lado do mundo.
Foi então que me chegou às mãos um texto de um escritor camaronês, Patrice Nganang, intitulado: "E se Obama fosse camaronês?". As questões que o meu colega dos Camarões levantava sugeriram-me perguntas diversas, formuladas agora em redor da seguinte hipótese: e se Obama fosse africano e concorresse à presidência num país africano? São estas perguntas que gostaria de explorar neste texto.
E se Obama fosse africano e candidato a uma presidência africana?
1. Se Obama fosse africano, um seu concorrente (um qualquer George Bush das Áfricas) inventaria mudanças na Constituição para prolongar o seu mandato para além do previsto. E o nosso Obama teria que esperar mais uns anos para voltar a candidatar-se. A espera poderia ser longa, se tomarmos em conta a permanência de um mesmo presidente no poder em África. Uns 41 anos no Gabão, 39 na Líbia, 28 no Zimbabwe, 28 na GuinéEquatorial, 28 em Angola, 27 no Egipto, 26 nos Camarões. E por aí fora, perfazendo uma quinzena de presidentes que governam há mais de 20 anos consecutivos no continente. Mugabe terá 90 anos quando terminar o mandato para o qual se impôs acima do veredicto popular.
2. Se Obama fosse africano, o mais provável era que, sendo um candidato do partido da oposição, não teria espaço para fazer campanha. Far-Ihe-iam como, por exemplo, no Zimbabwe ou nos Camarões: seria agredido fisicamente, seria preso consecutivamente, ser-Ihe-ia retirado o passaporte. Os Bushs de África não toleram opositores, não toleram a democracia.
3. Se Obama fosse africano, não seria sequer elegível em grande parte dos países porque as elites no poder inventaram leis restritivas que fecham as portas da presidência a filhos de estrangeiros e a descendentes de imigrantes. O nacionalista zambiano Kenneth Kaunda está sendo questionado, no seu próprio país, como filho de malawianos. Convenientemente "descobriram" que o homem que conduziu a Zâmbia à independência e governou por mais de 25 anos era, afinal, filho de malawianos e durante todo esse tempo tinha governado 'ilegalmente". Preso por alegadas intenções golpistas, o nosso Kenneth Kaunda (que dá nome a uma das mais nobres avenidas de Maputo) será interdito de fazer política e assim, o regime vigente, se verá livre de um opositor.
4. Sejamos claros: Obama é negro nos Estados Unidos. Em África ele émulato. Se Obama fosse africano, veria a sua raça atirada contra o seupróprio rosto. Não que a cor da pele fosse importante para os povosque esperam ver nos seus líderes competência e trabalho sério. Mas aselites predadoras fariam campanha contra alguém que designariam por um "não autêntico africano". O mesmo irmão negro que hoje é saudado como novo Presidente americano seria vilipendiado em casa como sendo representante dos "outros", dos de outra raça, de outra bandeira (ou de nenhuma bandeira?).
5. Se fosse africano, o nosso "irmão" teria que dar muita explicaçãoaos moralistas de serviço quando pensasse em incluir no discurso deagradecimento o apoio que recebeu dos homossexuais. Pecado mortal para os advogados da chamada "pureza africana". Para estes moralistas –tantas vezes no poder, tantas vezes com poder - a homossexualidade é um inaceitável vício mortal que é exterior a África e aos africanos.
6. Se ganhasse as eleições, Obama teria provavelmente que sentar-se à mesa de negociações e partilhar o poder com o derrotado, num processo negocial degradante que mostra que, em certos países africanos, o perdedor pode negociar aquilo que parece sagrado - a vontade do povo expressa nos votos. Nesta altura, estaria Barack Obama sentado numa mesa com um qualquer Bush em infinitas rondas negociais com mediadores africanos que nos ensinam que nos devemos contentar com as migalhas dos processos eleitorais que não correm a favor dos ditadores.
Inconclusivas conclusões
Fique claro: existem excepções neste quadro generalista. Sabemos todosde que excepções estamos falando e nós mesmos moçambicanos, fomos capazes de construir uma dessas condições à parte.
Fique igualmente claro: todos estes entraves a um Obama africano não seriam impostos pelo povo, mas pelos donos do poder, por elites que fazem da governação fonte de enriquecimento sem escrúpulos.
A verdade é que Obama não é africano. A verdade é que os africanos -as pessoas simples e os trabalhadores anónimos - festejaram com toda aalma a vitória americana de Obama. Mas não creio que os ditadores e corruptos de África tenham o direito de se fazerem convidados para esta festa. Porque a alegria que milhões de africanos experimentaram no dia 5 deNovembro nascia de eles investirem em Obama exactamente o oposto daquilo que conheciam da sua experiência com os seus próprios dirigentes. Por muito que nos custe admitir, apenas uma minoria de estados africanos conhecem ou conheceram dirigentes preocupados com obem público.
No mesmo dia em que Obama confirmava a condição de vencedor, os noticiários internacionais abarrotavam de notícias terríveis sobreÁfrica. No mesmo dia da vitória da maioria norte-americana, África continuava sendo derrotada por guerras, má gestão, ambição desmesuradade políticos gananciosos. Depois de terem morto a democracia, esses políticos estão matando a própria política. Resta a guerra, em alguns casos. Outros, a desistência e o cinismo.
Só há um modo verdadeiro de celebrar Obama nos países africanos: é lutar para que mais bandeiras de esperança possam nascer aqui, no nosso continente. É lutar para que Obamas africanos possam também vencer. E nós, africanos de todas as etnias e raças, vencermos com esses Obamas e celebrarmos em nossa casa aquilo que agora festejamos em casa alheia.
Mia Couto
Jornal "SAVANA" – 14 de Novembro de 2008